Nichiren Shonin, o fundador da Nichiren Shu, nasceu em 16 de Fevereiro de 1222 em Kominato, na atual Chiba, Japão. Aos onze anos, seus pais o enviaram ao templo Seicho-ji para estudar. Desde cedo, Nichiren começou a se perguntar porque existiam tantas escolas Budistas, enquanto o Budismo exposto pelo Buda Sakyamuni era apenas um? Ele foi ordenado monge no templo Seicho-ji logo cedo, aos 15 anos. Depois de muito estudar as escolas Budistas, Nichiren Shonin concluiu que o Sutra da Flor de Lótus realmente representava o auge perfeito das verdades ensinadas pelo Buda.

Seguido de um período de intensa prática durante um retiro de sete dias, Nichiren decidiu que deveria expor seus estudos e propagar o que havia concluído e descoberto. Ele então recitou de forma retumbante o Odaimoku, no alto de uma montanha com vista para o oceano pacífico, Era de manhãzinha e o sol estava nascendo. Este fato é tido como o início da doutrina de Nichiren Shonin, proclamando ao céu e à terra com o sol os iluminando como testemunha. A data era 28 de Abril de 1253.

Logo em seguida, ele seguiu para Kamakura, a capital do governo japonês, e começou a propagar o Sutra da Flor de Lótus. Kamakura se encontrava numa época de muita discórdia entre os clãs do governo e vários rumores de um eminente golpe político circulava pela cidade. Além disso, as pessoas estavam sofrendo com uma série de calamidades naturais, tufões, enchentes e terremotos. o medo estava instalado seguido de muita pobreza, fome e uma epidemia de peste. Todos estes eventos levaram o povo a entrar em pânico.

Ao testemunhar estes desastres, Nichiren Shonin se motivou a escrever o Rissho Ankoku Ron (Tratado sobre o Estabelecimento da Paz por meio do Ensino Correto). Nesta carta ele atribui os desastres às tolices do governo e a corrupção das pessoas que estavam seguindo superstições e crenças religiosas ludibriosas. Ele alertou as pessoas para converter sua fé no Sutra da Flor de Lótus.

Uma cópia do tratado foi apresentada às autoridades do governo e a mensagem deste trabalho foi repetida em suas pregações pelas ruas. As cartas tiveram uma reação hóstil pelas pessoas que foram criticadas por Nichiren Shonin. Alimentados pela raiva das autoridades religiosas, os monges os quais Nichiren Shonin acusou de falsos ensinamentos, o tratado desencadeou uma série de perseguições. Dentre estas punições, as mais difíceis foram a perseguição em Matsubagayatsu, o exílio na península de Izu, mais perseguições em Komatsubara e Tatsunokuchi e o exílio e isolamento por quase 3 anos seguidos na ilha de Sado.

Apesar de todas estas adversidades, o espírito missionário de Nichiren Shonin era implacável. Suas escritos posteriores que consistem em quatro grandes trabalhos, mostram sua enorme determinação. Enquanto esteve no exílio, na ilha de Sado, Nichiren Shonin completou dois trabalhos importantes. O Kaimoku Sho (Abertura dos Olhos) que expressava a condição de Nichiren Shonin como um praticante do Sutra de Lótus. E em Kanjin Honzon Sho (A introspecção espiritual dos seres supremos) ele expôs a ideia de unicidade entre as Verdades Eternas e o Buda Eterno. Para enfatizar estas teses introduzidas em seu último trabalho, Nichiren Shonin transcreveu logo em seguida uma representação gráfica dos principais fundamentos de sua teoria. Esta representação é chamada de Mandala Gohonzon.

Em 1274, Nichiren Shonin foi para o Monte Minobu, que passou a ser sua casa num voluntário exílio durante seus últimos nove anos de vida.  Este foi um período consumido por sua missão em perpetuar os ensinamentos do Sutra de Lótus e sua doutrina. Duas outras importantes cartas foram criadas durante este período.

Em seu trabalho chamado Senji Sho (Seleções do Tempo), ele confirma sua certeza em propagar o Sutra da Flor de Lótus e prevê a vitória de suas convicções. Em Março de 1276, seu antigo mestre, Dozen, morreu. Em sua memória, Nichiren Shonin escreveu o Hoon Jo (Recompensa de Endividamento).

Abalado por problemas de saúde, em Setembro de 1282, Nichiren Shonin deixou seu tão amado Monte Minobu com a intenção de visitar as termas quentes da primavera para que pudesse se recuperar. Seus problemas de saúde, entretanto, o impediu de chegar a tempo ao seu destino. Em 13 de Outubro de 1982, em Ikegami, Tóquio, Nichiren Shonin, cercado por seus seis principais discípulos, Nissho, Nichiro, Nikko, Niko, Nichiji e Niccho, outros discípulos e seguidores, morreu aos 60 anos de uma conturbada vida. Seu último desejo, “Por favor, construam meu túmulo no Monte Minobu onde meu coração viverá para sempre”,  foi fielmente realizado.